quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Páginas de um diário sem tabulação - Parte X

Me pego cochilando por algum tempo e ao abrir os olhos, vejo como o sol está radiante. Me dirijo até a janela e dou uma ligeira passada de olhos pela areia. Quantas pessoas aproveitando as férias! Mas olha só, lá perto do rochedo tem alguém sentado sozinho, tão isolado!

Começo á imaginar o que faria com que eles estivesse lá ao invés de estar com as pessoas daqui de baixo. O que será que se passa com ele? Em que estaria pensando?

Realmente me vejo desocupada. Minha dor se torna tão forte que tento fugir de mim mesma mais uma vez pra não pensar em como estou. Fracassada!

Estou tentando aprender á ser mais racional, mas sempre tem uma ponta de desistência em tudo, antes mesmo de começar. Me sinto esgotada. Lamento abrir os olhos.

Um dia sonhei que poderia sorrir como antigamente. E foi então que me toquei que era sonho mesmo e, sonhos nem sempre se concretizam, a maioria fica ali e por isso recebem esse terno. São inalcançáveis.

Sonhos e sonhos. Um dia nos separamos, nos perdemos e nos esquecemos que o outro existe, pelo menos eu esqueci que existem sonhos e ele se esqueceu que eu existo. Há tempo não o recebo e por isso adquiri o hábito de viver comigo mesma, mas de forma distante, sempre! Conseqüência de uma vida.

Sempre afirmei estar bem, mesmo enquanto sofria. Sempre afirmei estar feliz, quando na verdade, estava deprimida. Sempre afirmei que estava tudo bem, quando na verdade estava caindo. Não nego, sou assim até hoje, é minha proteção, zelo por isso. Egoísmo? Nem é, egoísta é quem machuca o próximo, se proteger é mais questão de amor próprio do que egocentrismo. Me tornei o reflexo da minha auto-destruição, perecível garota.

Certa vez li que "de vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo." Realmente isso é preciso e me baseio nisso para seguir em frente, porém, visitar á mim mesma tem me trazido péssimos aspectos, e por isso estou aqui neste quarto até agora. Da mesma forma que se pode estar bem, em poucos segundo se pode ter uma queda. A vida prega peças e não temos controle algum do roteiro, somos apenas mais um personagem insignificante na vida de outra pessoa, bem como ela pode ser na sua.

A característica do meu teatro é o drama. Observo seriamente o que está em meu cenário e puxo na minha memória tudo o que preciso saber. Sei o que se passou e como tem que ser, mas não consigo seguir em frente nessa peça porque as luzes não refletem como teria que ser e meu brilho esperado esvainece.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Páginas de um diário sem tabulação - Parte IX


Ultimamente ando pensando mais como os meus tempos de adolescente. Não é bom, eu sei, mas vejo que naquele tempo eu sofria menos. Por que? Bom, eu era mais fechada, logo ninguém se aproximava e eu não choraria. Eu era mais brava, logo, ninguém falaria o que quisesse e eu não me magoaria. Eu era mais direta, não quer? Então some! Que diferença isso me faz...

Este quarto de hotel também não me serve para nada, senão para alimentar minhas mais malignas idéias de isolamento total. É isso aí, estou riscando minha listinha telefônica. Não quero ser chata, apenas quero ser feliz.

Me lembro dos momentos que tive com diversas pessoas ao longo da minha vida. As guardo com carinho, cada lembrança de cada pessoa. Mas neste momento para refletir meu grau de importância para cada uma delas. De novo me pergunto, eu valho mesmo algo para alguém? Eu acredito que não.

Já está amanhecendo e o céu mostra suas cores. Como é lindo!

Interessante ver como a natureza cuida das coisas. Estas noites foram um tanto nubladas, choveu tanto! Deus sempre cuida das mais fervorosas tempestades e catástrofes e as tornam sempre em algo melhor. Acho que me transformei em algo melhor, mas meu pé teima em ficar lá no buraco, e para desequilibrar me falta pouco. Fico mais uma vez com meus pensamentos. Vou explodir!

Me sinto realmente triste. Não me contenho, é meu limite!

Eu deveria ser feita de metal, literalmente. Supostamente eu tenho um coração de ferro, pelo menos para muitas pessoas, mas pra mim não é o suficiente. Eu queria de verdade ser feita de ferro. Jamais choraria de novo, meu coração não teria esse aperto.

Toca uma música esse momento, alguém está sozinho lá embaixo ouvindo. É uma banda que conheço e adoro essa música, acho que ela me completa e me veio bem á calhar agora.

Eu sou nada agora e faz muito tempo
desde que eu escutei o som, o som da minha única esperança.”

Acho que é isso, perdi minhas esperanças em algum lugar que não tenho a mínima idéia de onde foi e nem sei como recuperá-la.. se é que é possível. Me torno descrente do ontem, do agora e do amanhã. Volúvel e instável, isso é uma bomba na minha mão.

Droga!

Penso em desistir de tudo o que tenho e sair sem destino, quem sabe lá na frente não me encontro em uma melhor fase. Eu cansei de tudo isso, cansei de ficar nesse quarto só esperando que meu coração tenha um alivio e minha mente me mande á algum lugar. Me cansei de muitos e ao mesmo tempo percebo que me cansei de mim mesma.

Sinto falta de uma antiga amiga. Sinto falta de saber quem ela é, sinto falta de saber que ela, independente de tudo, sempre será minha amiga. Por que isso? Amigos sempre se ajudam, mas fiz o possível e estou no limite. Paro para pensar novamente se valho. Acredito que não, afinal, já ouvi uma vez que não sou amiga e mais ainda agora que só sirvo pra me intrometer. O combinado não sai caro nunca.

Fico na minha e choro minhas dores novamente. Talvez um dia tudo mude, apesar de o passado sempre me convidar para um passeio forçado. Sou arrastada pela mão e ele me prende. Tá, eu sei que tenho problema!

Volto para a janela e fico sentada ali.

Minha vaga mente só sabe me acorrentar aos pensamentos que não quero, não agora. Não me vejo em um momento oportuno para isso, afinal, amo demais muitas pessoas e não consigo vê-las se jogam sempre mais e mais abaixo.

Sonho em um dia sair deste lugar e ser a pessoa que nunca fui, parar de esconder o que sinto de verdade e, não deixar sair lágrima alguma mais. Meus olhos castanhos se fazem vermelhos.

Lá embaixo avisto algumas crianças brincando. Tenho vontade de enxergar tudo através dos olhos de uma criança, me sentir realizada ao fazer um castelinho de areia e ser dona de todo um império de castelinhos.

Sorrio por um instante e no mesmo minuto, me esbaldo em lágrimas. Alguém pode fazer meu coração parar de chorar?

"Eu não consigo sentir meus sentidos, eu apenas sinto frio
Todas as cores parecem desaparecer, eu não consigo alcançar minha alma
Eu pararia de correr, se eu soubesse que havia uma chance
Me machuca ter de sacrificar tudo mas eu sou forçada a desistir " - Whitin Temptation -Frozen

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O momento pede

Mais uma vez, Lúxuria!

video

Durante muito tempo eu construí uma história em cima de um castelo destruído
E pra fugir dessa realidade dura eu já encontrei mais de mil motivos
Agora essas palavras de pessoas santas parecem música nos meus ouvidos
Já que ficou quase insuportável ouvir a voz dos meus olhos aflitos

De tanto chorar depois que a festa acabar
Se eu não me matar, talvez eu peça ajuda para voltar
De um lugar da onde despenquei feito um anjo que morreu de raiva
Na queda eu me despedacei mas eu já me permito mudar

Eu olhei ao meu redor para reconstruir o meu castelo caído
Pra viver de bons momentos sem ter que ter os olhos escondidos
Já fiz até um testamento que não tem nada, nada, nada escrito
Já que a minha maior herança é a que eu vou levar comigo

Pra evoluir, depois que o terror passar
Se eu não suportar talvez eu peça ajuda pra voltar
De um lugar da onde despenquei feito um anjo que morreu de raiva
Na queda eu me despedacei mas eu já me permito mudar

Esse meu ódio é... Meu ódio é...
O veneno que eu tomo querendo que o outro morra
Esse meu ódio é... Meu ódio é...
O veneno que eu tomo querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vale á pena valer?


As vezes me pego pensando se nessa vida eu valho algo, já vali ou se faz sentido tentar valer.

As vezes sou insegura..

Monto um quebra-cabeça sem sentido, onde metade das peças não se encaixam na minha.. meus pensamentos são vazios.

Já passam das 2hs da manhã e há mais de 1h derramo lágrimas que me ferem.

Como eu gostaria de viver em um mundo de fantasias! Não precisava ser Cinderela ou Branca de Neve, o mundo de Alice no País das Maravilhas me parece mais atraente. Nele, o irreal se torna real e quando Alice derrama sua primeira lágrima, a magia transforma tudo em um sorriso.

Me sinto como na adolencência.. tempo sombrio.

Será mesmo que eu valho á pena?

Nesse tempo em que tentei dormir, minha companhia têm sido os álbuns de uma única cantora, sim, aquela mesma que me traduz, a que sempre caminha comigo na melancolia, mas sabe, eu trocaria todo esse tempo por 10 minutos que você esivesse aqui e eu pudesse deitar no seu colo. Não precisaria dizer nada, apenas me deixar ficar ali alguns instantes.

Será que eu valho o suficiente para você?

Muitas vezes acredito que sim, mas sempre me pego revendo essa pergunta e talvez a resposta não seja essa. Talvez merecesse alguém melhor que eu.

Revejo uma lista que você fez e tento aceitar que é o meu lugar, mas não acho justo, não cabe á mim este lugar, me faltam critérios para me igualar á seu nível. Me falta ser o que não sou, o que esperavam que eu fosse e oferecesse.

Não sei nem porque estou escrevendo. Não verdade eu sei. Escrevo por ter medo de dar corda aos meus pensamentos e não saber voltar. Escrevendo ocupo mais minha cabeça, “seguro” mais meus pensamentos.

Meus olhos ardem e nem colírio me oferece alívio. Minha cabeça pesa e pulsa. Sinto uma enorme tristeza.

Por que as coisas não podem acontecer certo pelo menos uma vez? Talvez eu realmente não valha.

Já tirei metade desse esmalte laranja em mais uma tentativa frustrada de voltar ao obscuro. Não afirmo que valeria a pena, mas pelo menos minha cabeça era menos conturbada.

Naquele tempo, eu valia?

E paira o silêncio.

Tenho medo do silêncio, ele me faz refletir em minha valia. A solidão continua sendo minha melhor amiga e meus pensamentos, minha fonte de declínio.

Chego ao fim de mais um desabafo. Talvez não valha á pena continuar lendo essas frases conturbadas de uma mente sofrida.

And here we go again!!!

Beijos da Samurai